Pai nosso, que estás nos céus
“Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.” (Mateus 6.9)
A forma como nos dirigimos a alguém revela como enxergamos essa pessoa. Quando estamos diante de alguém importante ou desconhecido, muitas vezes nos sentimos intimidados. Porém, quando existe intimidade e confiança, a conversa flui naturalmente. Isso também acontece em nossa vida de oração.
Muitas vezes oramos como se estivéssemos tentando impressionar a Deus com palavras bonitas. Outras vezes, tratamos a oração apenas como uma lista de pedidos. Porém, Jesus nos ensina que a oração não começa com as nossas necessidades, mas com uma compreensão correta de quem Deus é.
Quando os discípulos pediram que Jesus os ensinasse a orar, ele começou dizendo: “Pai nosso, que estás nos céus…”. Essa expressão é profundamente transformadora.
Deus é nosso Pai
Por meio de Cristo, fomos adotados na família de Deus. Como afirma João 1.12: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”. Nem todos experimentam essa intimidade com Deus automaticamente. Todos são criaturas de Deus, mas aqueles que recebem a Cristo são chamados de “filhos”. Jesus nos ensina que podemos nos aproximar de Deus com a confiança de filhos. Não nos achegamos a um Deus distante, indiferente ou impessoal. Achegamo-nos a um Pai amoroso.
Deus não é uma versão ampliada das falhas de nossos pais terrenos. Ele é o Pai perfeito.
A palavra “pai” talvez desperte lembranças dolorosas em algumas pessoas. Talvez represente ausência, abuso, rejeição ou abandono. Contudo, Deus não é uma versão ampliada das falhas de nossos pais terrenos. Ele é o Pai perfeito – acolhedor, presente, paciente e fiel. Ele conhece as nossas dores mais profundas. Ele vê as nossas lágrimas silenciosas. Ele se importa com aquilo que ninguém mais percebe. Em Cristo, encontramos o Pai que nossa alma sempre desejou.
Deus também é santo e majestoso
Jesus continua: “… que estás nos céus”. Essa frase nos lembra que o Deus que nos acolhe como Pai também é o Rei soberano do universo. Ele é próximo, mas não comum. Ele é amoroso, mas continua sendo santo. Ele é íntimo, mas também glorioso.
A Bíblia mostra repetidamente a santidade de Deus. No Antigo Testamento, sua presença no Santo dos Santos revelava que ele não deveria ser tratado com irreverência.
Ele é próximo, mas não comum. Ele é amoroso, mas continua sendo santo. Ele é íntimo, mas também glorioso.
Nosso problema muitas vezes é querer um Deus próximo sem reverência, ou um Deus majestoso sem intimidade. Jesus nos ensina a manter ambas as verdades juntas: Deus é Pai e Deus está nos céus. Ele é ao mesmo tempo acolhedor e exaltado.
“Santificado seja o teu nome”
Na mentalidade bíblica, o nome representa o caráter e a identidade da pessoa. Quando Jesus nos ensina a orar assim, ele está dizendo: “Pai, que a tua glória seja reconhecida; que o teu nome seja honrado; que a tua grandeza seja conhecida em toda a terra”.
Essa oração também nos confronta. Será que nossa vida honra o nome de Deus? As pessoas conseguem perceber Cristo em nossas atitudes? Nossa maneira de viver aponta para a glória de Deus ou para nós mesmos?
Santificar o nome de Deus começa no coração. Pedro escreveu: “Santifiquem a Cristo, como Senhor, no seu coração” (1Pedro 3.15). Quando Cristo ocupa o centro do nosso coração, o medo perde força. A ansiedade diminui. O desejo de controlar tudo começa a morrer. Passamos a descansar no fato de que nosso Pai governa todas as coisas com amor e sabedoria.
Aplicação
Antes de apresentar os seus pedidos a Deus, lembre-se de quem ele é. Ele é seu Pai amoroso. Ele é o Deus santo. Ele é digno de confiança. Ele é digno de reverência. Ele é digno de glória. Ore hoje com essa certeza: “Pai, eu descanso no teu amor. Tu és santo e soberano. Que a minha vida glorifique o teu nome”.
Quando entendemos com quem estamos falando, nossas orações deixam de ser mecânicas e se tornam encontros reais com o Pai.